segunda-feira, 5 de abril de 2010

11:11 e a política da exceção

Bom, senhores.

Confesso que o primeiro post traz consigo um friozinho na barriga... sem frescuras, passado o inevitável frenesi inicial, pretendo tocar em um ponto que me intriga desde os tempos de adolescente.

Percebe-se, cada vez mais, que as pessoas estão se agarrando nas exceções e delas vivendo. Pense comigo: quantas e quantas vezes você olha no seu relógio e está marcando "11:11", ou "22:22", ou "09:09"? Ou dá um look no ponteiro do carro e o odômetro está com todos os números iguais, do tipo "55.555.55 km"? Pouquíssimas! Tem gente que, inclusive, acha que isso "só acontece comigo..." e que "é algum sinal". Vai entender...

Numa boa: quem é que, quando olha no relógio e está marcando "10:35", pensa: "que doido!1+0+3+5=9, e 9 significa o final de um ciclo e o começo do outro". Ninguém! Porquê? Simples... Pois, infelizmente, a turma se lembra das exceções e ignora todo o resto! Ora, em 24 possíveis horas, tem-se somente 24 possibilidades de se enxergar números iguais em horas e minutos, isso considerando um universo de 1.440 minutos diários. Ou seja, tem-se 1,7% de chances de, a qualquer hora que se olhar em um relógio, encontrar os números iguais. Portanto, os números iguais aparecem excepcionalmente, raramente, por isso a gente sempre se lembra deles e sempre acha "legal", principalmente quando se trata do "00:00", "11:11", "22:22", que são os únicos que se repetem nas quatro casas.

Por alguns instantes, tente lembrar de momentos especiais da sua vida. Não foram as exceções? A sua formatura, o dia em que ele te trouxe aquelas rosas roubadas, o dia em que ela burlou toda a segurança da empresa só pra te dar um beijo, ou, mais simples ainda, o dia em que a sua mãe - ou o seu pai - fizeram aquela mega lasanha com vários tipos de molhos, toda bonitona... todos esses dias não estão, de uma ou outra forma, na sua memória, e com fácil acesso? Lógico! É a exceção ao bife-arroz-feijão-tomatinho-papai-e-mamãe de todos os dias...

Experimenta ser o funcionário-padrão, chegar todos os dias no horário e, dois dias seguidos, chegar atrasado. Agora faz o contrário: pega um caboclo todo atrapalhado, com a mesa bagunçada, desengonçado e atrasado, e dá um jeito dele ficar bonitão e chegar uns dois dias no horário. O primeiro vai levar um mega fumo por ser dois dias igual ao segundo, e o segundo vai ser parabenizado por ser dois dias igual ao primeiro (sendo que o primeiro não ganha parabéns todos os dias e o segundo não leva fumo todos os dias, apesar de ambos merecerem) - e eles serão lembrados por esses dois dias de exceção, quer apostar???

Assim, transportando o conceito para a vida real, faz-se, aqui, despretenciosamente, dois alertas bem parecidos, mas que se completam.

1. Cuidado ao ser o "bonzinho", o "faz-tudo", o "belezão" o tempo todo - estilo "filho que toda mãe queria ter", "genrinho preferido", etc... A sua chance de rodar é imensa, meu caro! E o pior: você vai rodar e não vai entender nada! Simplesmente pelo fato que que ele ou ela, seu amigo, namorado, noiva ou cônjuge, vai lembrar sempre - e com todos os detalhes - das exceções! E quando acontecem as exceções dos "bonzinhos", "perfeitinhos"? Quando eles saem da rota, ou melhor, quando atrasam 20 minutos, erram o caminho, olham desapercebidamente para o lado, bebem um pouco além da conta, não telefonam, ou deixam de fazer alguma coisa que fazem normalmente. O fato de se ater 99% do tempo ao bem, o correto, vai enfatizar demasiadamente todos os seus erros, por menores que eles sejam, de modo que uma pessoa 99% boa acaba sendo lembrada pelos seus 1% ruins. E isso é fato, na maioria das vezes, infelizmente.

2. Do mesmo modo, e por outro lado (ou do outro lado...), acautele-se ao dar tamanha importância às exceções. Tente, com afinco, enxergar o todo, e nele incluir as exceções, como se tudo fosse uma coisa só (e é), afinal, pessoas acertam e erram, sendo que, o que realmente importa, é o conjunto, consciente de que os erros são partes do caminho e fontes do acerto.

O que eu digo não é brincadeira. Quem não tem um amigo todo atrapalhado que, quando faz uma coisinha certa, todo mundo acha a maior maravilha do mundo? Por outro lado, conhecemos várias pessoas que mandam bem o tempo todo e, em qualquer falha boba, são taxadas de fracas, incompetentes, praticamente crucificadas. São as exceções marcando a vida das pessoas... Uma pena! (tanto para o ruim, que é lembrado pelas exceções boas - injustiça - , e para o bom, pelas ruins - idem)

Não sei se você quer ser lembrado pelas suas exceções. Eu não! Penso que a "política das exceções" deve ser levada menos a sério. A exceção, por si só, não faz a menor diferença.

Tentem treinar a memória para se lembrar das coisas boas, e relevar as ruins, sejam elas regras ou exceções.

Aliás, viva o conjunto da obra!

8 comentários:

  1. Parabéns! Bela, séria e surpreendente reflexão.

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  2. Cara que estréia! O que dizer de alguém que é regularmente uma exceção?

    Parabens...iniciativa fantastica...texto não menos!

    Bem vindo!

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  3. Fala meu fiooo...
    Muitooo lokooo o texto!!!

    exceção sempre nas horas certas heheheh...

    forte abraço pro c!

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  4. Cem regras.. para uma exceção
    Parabéns pelo texto e pela vontade de fazer algo diferente, tema de seu belo relato!!
    Brunão.

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  5. Parabénsssssssssssss!!!
    Que estreia hein....
    Realmente temos q refletir sobre as exceções!!!

    Bjs

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  6. Sensacional a reflexão e o raciocínio seguido... adorei!
    Beijos da sua irmãzita! Rê.

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  7. Top,top, top.
    Coisa de bacon mesmo!
    Congrat´s, double X.
    Amei tudo!
    Bj enorme e estarei sempre por aqui.
    Renata (mãe od brigadeirinho)

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  8. Necas, muito bom esse primeiro texto. Parabéns!

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